O quanto boicotes são comuns no tênis?

Boicotes ganharam destaque no tênis devido a motivos pessoais, sistêmicos ou políticos. Cinco dos boicotes mais notórios do tênis você conhece abaixo.

1) O Boicote das Irmãs Williams & Indian Wells
Serena Williams, aos 19 anos, estava tendo uma boa campanha no deserto em 2001 e estava seguindo firme para conquistar seu 19º título da carreira. Quando ela chegou às quartas de final, ela derrotou a segunda ranqueada Lindsay Davenport por dois sets a zero e se classificou para uma disputa com sua irmã mais velha. No dia da semifinal, 4 minutos antes do início da partida, Venus Williams fez um anúncio. Ela declarou que teria que se retirar do evento devido a uma tendinite.

Os espectadores ficaram furiosos com a declaração de Venus e não demoraram para iniciar uma onda de vaias da arquibancada. Mais tarde naquele dia, o pai das irmãs, Richard Williams foi acusado de armar as partidas para as filhas. 

“Todo mundo tem sua própria opinião”, disse Venus de cabeça fria para a impressa quando lhe perguntaram sobre as acusações feitas a seu pai. Quando um repórter da Reuters perguntou a Richard sobre a lesão de Venus, ele disse: “De agora em diante, eu não falo inglês. Eu não falo inglês.” A declaração de Richard levantou muitas sobrancelhas. 

No dia da final, Serena Williams entrou na quadra com Kim Clijsters; mas a atração principal no início da grande final estava na cabine de suporte. Venus e Richard Williams desciam o lance de escadas para assumirem seus assentos. Eles foram recebidos por uma chuva de deselegâncias. A partida começou e Clijsters levou o primeiro set por 6-4. Mas uma mentalmente forte Serena revidou, enfrentando sua oponente e, mais importante, a multidão, conquistando o título mais uma vez. O triunfo foi recebido com reações mistas.

Poucas horas depois, Richard Williams declarou que o Indian Wells havia “desgraçado a América”, pois ele teria ouvido comentários racistas sendo proferidos da multidão contra ele e sua filha mais velha. Apesar das acusações fortes, não há relatos (até hoje) de que alguém na arquibancada tenha dito ou ouvido tais comentários. Adicionalmente, as faltas duplas de Serena se tornaram uma nova desculpa para o público se manifestar.

Claramente, não houve vantagem da casa para a jovem de 19 anos. Compreensivelmente, as Williams decidiram boicotar o evento. Em 2015, Serena retornou ao campo do Indian Wells. No ano seguinte, Venus seguiu os passos da irmã mais nova. Desde o fim de seu boicote, o melhor resultado de Serena foi o vice-campeonato de 2016, ao passo que o melhor resultado de Venus foi chegar às quartas de final, na qual ela perdeu para a eventual campeã Elena Vesnina.
2) O boicote dos jogadores da ATP em Wimbledon em 1977

Em 1973, Nikola Pilic, o iugoslavo Nº. 1 e membro dos Handsome Eight, terminou com o vice em Roland Garros. Ele decidiu manter sua forma nos torneios do circuito em vez de competir na Copa Davis. A Federação Internacional de Tênis não ficou feliz com a retirada de Pilic da Copa Davis na última hora.

Eles aplicaram uma suspensão de 9 meses a Pilic. Protestos de Pilic e de companheiros da ATP levaram a suspensão Pilic a ser reduzida de 9 meses pra 1 mês. Apesar da diminuição da suspensão, aquilo significava que Pilic não poderia competir em Wimbledon no mês seguinte. Para apoiar Pilic, 81 dos companheiros de Pilic que eram membros da recém-formada All Tennis Professionals (ATP) se retiraram do campeonato. Isso incluía 13 dos 16 melhores ranqueados.

Apesar da inclusão do melhor ranqueado, Ilie Nastase, na chave principal, o romeno perdeu nas primeiras rodadas. Hoje, dizem que Nastase perdeu de propósito nas primeiras rodadas para apoiar Pilic e seus companheiros da ATP. O evento de 1973 foi vencido por Jan Kodes, que derrotou Alex Metreveli na final.

3) Boicote da Índia na final da Copa Davis de 1974 

A política do apartheid do governo sul-africano impediu a nação de disputar as Olimpíadas de 1964 até 1992. Foi durante esses anos que as nações que disputavam tênis protestaram contra a política. Na Copa Davis de 1974, a Índia, um time forte liderado pelos irmãos Amritraj, derrotaram os atuais campeões, a Austrália. Eles deram um passo além, derrotando a União Soviética. “Eram dois irmãos levando seu país à final, o que nunca tinha acontecido, e isso era por um bilhão de pessoas. Isso vai além dos arrepios.” – Vijay Amritraj

Ao chegar à fase final, a Índia, uma forte concorrente ao título da Copa Davis, se viu diante da África do Sul pelo troféu da Copa Davis. Mas a política do apartheid se tornou a rede entre Índia e África. Foi Indira Gandhi, então Primeiro-ministro da Índia, que decidiu jogar a bola na rede. Numa ação contra a política do apartheid, a Índia se se recusou a jogar com a África do Sul nas finais. A África do Sul foi declarada vencedora sem disputar um único ponto na final. “Eu acho que foi uma má ideia. A única vez em que tivemos uma oportunidade excelente de vencer a Copa Davis, nós entregamos.” – Anand Amritraj

4) Israel, Dubai, Roddick e o boicote em Dubai 2009

Shahar Pe’er era a 48º tenista do ranking mundial. Em 2009, conflitos surgiram entre Israel e Gaza causando guerra em ambas as regiões. Shahar Pe’er deveria jogar em Dubai, mas os EAU se recusaram a lhe conceder um visto. Quando o diretor do torneio, Salah Tahlak, foi cobrado por explicações sobre a negação do visto, seus motivos eram infundados. Isso enfureceu uma série de jogadores dos circuitos ATP e WTA. O atual campeão masculino do simples Andy Roddick decidiu boicotar o evento.

Ana Ivanovic, Venus Williams e Elena Dementieva apoiaram publicamente Shahar Pe’er and e consideraram as ações do evento de Dubai injustificadas. No ano seguinte, Pe’er recebeu permissão para jogar e a israelense fez uma campanha feroz, chegando entre as quatro melhores. No caminho, ela derrotou Yanina Wickmayer (13ª ranqueada), Virginie Razzano, Caroline Wozniacki (líder da chave) e Li Na (oitava ranqueada). A campanha da israelense terminou nas semis, onde ela foi derrotada pela eventual campeã Venus Williams. 


5) Tunísia VS Israel: O torneio Tashkent Challenger 2013

Malek Jaziri, agora entre os 100 melhores tenistas do mundo e melhor tenista da Tunísia, enfrentou um sério revés em seus dias de luta. Num torneio de Challenger disputado em Tashkent, Malek Jaziri chegou às quartas de final. Ele foi chaveado com o israelense Amir Weintraub. A indulgência política mais uma vez afetou o mundo do tênis. Antes da partida da semifinal, Jaziri recebeu uma carta da Federação Tunisiana de Tênis que dizia:

“Após uma reunião esta tarde com o Ministro da Juventude e dos Esportes, eu tenho o imenso pesar de informar que você não deve jogar contra o tenista israelense.”

Jaziri se retirou da partida dizendo que tinha sofrido uma lesão no joelho, mascarando o motivo real de sua saída. A Federação Internacional de Tênis posteriormente declarou que a Federação Tunisiana de Tênis havia violado o código e, sendo assim, tinha sido suspensa da Copa Davis por um ano. 

Vários motivos já levaram ao boicote no tênis. A sabedoria está em manter os tenistas e sua prática às margens das questões extra-quadra que perturbam o equilíbrio do esporte.

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