Se fôssemos explicar a tecnologia numa progressão passo-a-passo, o tênis daria um ótimo exemplo. Desde os tempos em que não havia praticamente nenhum equipamento eletrônico em quadra até as câmeras de alta velocidade que usam princípios de triangulação, nós caminhamos um bocado, pessoal. Vamos dar uma olhada em alguns dos avanços revolucionários que ajudaram a elevar o padrão do jogo.
Telas de Velocidade de Serviço
Durante a Segunda Guerra Mundial, Jon L. Barker Sr. e Ben Midlock inventaram uma pistola de radar para o exército. Essa arma era usada para medir a velocidade de objetos em movimento. Pouco tempo depois, as telas de velocidade de serviço foram inventadas com a ajuda das pistolas de radar. 10 câmeras de monitoramento são posicionadas nas linhas de base. Essas câmeras, junto com os radares, capturam a ação em tempo real. A velocidade do saque é medida e registrada. Atualmente, o FlightScope é o sistema de medição de velocidade de saque aprovado pela ITF mais amplamente utilizado. Uma vez que a velocidade é registrada, a velocidade do saque é exibida no telão.
Cyclops
Nos Campeonatos de Wimbledon de 1980, o tênis deu um enorme salto introduzindo este avanço tecnológico. Bill Carlton e Margaret Parnis England criaram um sistema eletrônico que poderia julgar se o serviço caiu dentro ou não. Antes de cada ponto, o árbitro de linha ativa o sistema. Cerca de cinco a seis raios infravermelhos horizontais são projetadas 10mm acima do chão. Um raio cobre o lado bom da linha de serviço (serviço correto) e os outros raios cobrem o lado faltoso. Quando a bola toca o primeiro raio, os outros são desligados. No caso de um serviço longo, os outros raios são desligados. Um sinal audível indica o serviço longo. O sistema melhorou sua precisão, mas o surpreendente é que não há estatísticas que mostrem o quanto ele é preciso. Em 2007, Wimbledon removeu o sistema Cyclops e introduziu o Hawk-Eye. O Cyclops não é mais usado em nenhum evento de Grand Slam.
AutoRef
Em novembro de 2003, a ITF, a ATP e a WTA colaboraram para criar um plano de avaliação para sistemas automatizados de assinalação de linha. Como resultado, na rodada qualificatória do Aberto dos Estados Unidos de 2004, o Auto-Ref foi introduzido. Com sede em Waterloo, Ontario, a Auto-Ref Inc. elaborou um sistema no qual oito câmeras são fixadas ao piso da quadra, posicionadas de modo que todas fiquem viradas para a quadra. Essas câmeras registram toda a ação e estão todas interconectadas, governadas por um servidor central. Os oficiais que representam o Auto-Ref alegam que essa tecnologia tem uma precisão de até 4mm.
Pointtracker
Um dos avanços tecnológicos de maior destaque dos torneios de Grand Slam é o Pointtracker. Já faz mais de uma década desde que a IBM desenvolveu esta tecnologia. Ele é um aplicativo 3D que permite que o usuário veja o ponto de um set e o analise com base em várias estatísticas. Cada ponto pode ser visto por diferentes ângulos de câmera. Esses ângulos podem ser de cima, da visão do árbitro, da rede ou da visão dos jogadores. A velocidade de serviço, a velocidade de retorno e a velocidade do winner de cada ponto podem ser conhecidas conforme o ponto avança. O usuário também pode ajustar o número de ataques que ele quer ver num intervalo em particular e acompanhar a bola conforme o rali avança. Os pontos também podem ser agrupados em aces, forehand winners, backhand winners, erros espontâneos e muitas outras categorias.
Mac-cam
John McEnroe era conhecido por desafiar as decisões dos árbitros e por discutir com eles. A FastCam Replay LLC e a DEL Imagins Systems LLC foram duas empresas que criaram um sistema para reproduzir assinalações de linhas próximas ou controversas. O sistema MacCam tirou seu nome de McEnroe. McEnroe foi um analista de tênis da CBS. Sendo assim, a CBS se tornou a primeira rede a usar amplamente a tecnologia MacCam. Uma grande desvantagem do sistema MacCam é que ele só podia avaliar a linha de base, não as linhas laterais ou as linhas de serviço. Ele foi introduzido nos Campeonatos do Aberto dos Estados Unidos de 2004, mas foi descontinuado pouco tempo depois devido ao advento do sistema Hawk-Eye.
Hawkeye
Este é o sistema de assinalação de linha automatizado mais amplamente aceito nos tempos modernos. Em 1999, a pesquisa do Dr. Paul Hawkins foi financiada pela The Television Corporation. Depois de 2 anos, ele criou o Hawkeye. O Hawkeye é composto por dez câmeras de alta velocidade que são posicionadas sob o teto do estádio. A trajetória da bola é traçada num aspecto tridimensional quando os vídeos de seis câmeras são mesclados. Um grupo de pixels é identificado pelo sistema, correspondendo à bola. A bola então é capturada em frames contínuos que ajudam a traçar sua trajetória. A tecnologia é usada em mais de 80 torneios, e surpreendentemente, Roland Garros não aparece na lista. Os oficiais acreditam que a bola deixa uma marca no saibro, então o próprio árbitro vai até a marca em caso de dúvida e verifica se a bola foi dentro ou fora.
Net Cord Sensor
No topo da rede, um dispositivo “piezoelétrico” é acoplado. Embora pareça complicado, sua função é relativamente simples. Ele converte qualquer vibração detectada em energia elétrica, assim, ativando um “bipe”. O sistema é útil para os árbitros, que podem monitorar se um serviço tocou na rede ou não.
SecondSight
A edição de 2011 de Wimbledon marcou um avanço nas análises do tênis. A IBM introduziu o SecondSight, uma ferramenta que ajuda a monitorar o vigor dos jogadores, a distância percorrida, o movimento e o estilo de jogo. A tecnologia que este sistema utiliza foi originalmente desenvolvida para uso militar. Múltiplas câmeras posicionadas atrás do árbitro capturam os dados de um jogador. Esses dados são então analisados por um algoritmo desenvolvido pela IBM, cujos resultados mostram uma interpretação 3D em tempo real.
Kitris Kit
A Regra Nº. 31 da ITF explica que qualquer equipamento deve ser definido como Tecnologia de Análise do Jogador (PAT, na sigla em inglês) antes de seu uso. Em 2013, uma startup suíça, a Kitris Kit, se tornou a primeira PAT a ganhar essa aprovação. O Kitris Kit é usado no pulso. Ele registra como o jogador conquista cada ponto, serve como uma tabela de desempenho, ajuda a avaliar os pontos fortes e fracos do jogador, quanto tempo o jogador passa em quadra por partida, como o jogador lida com quebras de pontos e set points e muitas outras estatísticas. Os dados podem ser baixados conectando o Kitris Kit a um computador. Como ele age como um treinador em quadra, seu uso é proibido durante as partidas e é restrito a propósitos de treinamento.
Microchips
O avanço mais recente no que diz respeito a tecnologias no tênis é a instalação de microchips. Esses microchips são colocados na extremidade do cabo da raquete e são úteis para registrar informações relacionadas ao balanço da bola e o contato entre a bola e a raquete. A Zepp e a Sony são duas empresas conhecidas por criar esses microchips.
O ex-campeão de Wimbledon Pat Cash foi contra essa tecnologia e sugeriu a interrupção de avanços no tênis.
“Essa tecnologia de microchip é, de modo geral, uma engenhoca por enquanto, mas logo nós poderíamos ver nanotecnologia enrijecendo ou adicionando flexibilidade instantânea à corda, corrigindo qualquer erro no contato. Nos próximos cinco ou dez anos, as raquetes vão se tornar cada vez mais poderosas. Se esse for o caso, a Federação Internacional de Tênis, como a entidade reguladora do jogo, deve fazer alguma coisa para barrar o avanço.”
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